quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Exageros


Sempre fui do time dos exagerados. Nunca, mesmo quando quis muito, consegui ser contido. Com a experiência que tenho hoje, sei que minha escala de exageros foi tímida mas grande o suficiente para qualquer um saber de que lado estava. Ultimamente o corpo não ajuda mas a cabeça continua exagerada. Sinto tudo muito intensamente, como se o próximo suspiro fosse o último. Tenho uma certeza tão grande da morte e do desespero que deve ser, chegar naquele instante final e se dar conta que não viveu tudo o que podia viver que, não consigo tocar a vida de outro jeito: tem que ser intenso.
No passado vivi períodos de descontrole total. Comida, sexo, alcool, trabalho, tudo misturado num feixe emocional, físico, tóxico, endorfínico, suicida.
Um lado meu fica feliz com o cansaço da máquina orgânica e o sossego compulsório; o outro, transgressor incansável, estrebucha toda noite com insônias só vencidas  com muito zolpiden.
Esse tema me veio a cabeça neste último dia de 2014 por causa de um show de Etta James que estou assistindo na TV. Essa sim sabe tudo de exagero...wow!

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